Após a aprovação do término da escala 6×1 no Senado, as entidades que representam as construtoras voltaram a expressar suas preocupações, afirmando que essa decisão acarretará um aumento considerável nos custos de construção de imóveis.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projeta que a modificação na jornada de trabalho pode demandar a contratação de cerca de 288 mil novos trabalhadores a partir de 2027, o que pressionaria ainda mais os custos e dificultaria o andamento das obras.
Essa situação se torna ainda mais crítica em um setor que já enfrenta uma carência de profissionais qualificados. Além disso, há um desinteresse crescente entre os jovens em trabalhar nos canteiros de obras, somado à concorrência por mão de obra com serviços de transporte por aplicativos.
“O aumento nos custos das obras pode levar a uma diminuição dos investimentos, atrasos nas entregas e uma redução na eficácia das políticas públicas”, destacou a CBIC em comunicado, mencionando as repercussões em projetos habitacionais e de infraestrutura.
No programa Minha Casa, Minha Vida, as estimativas da CBIC sugerem que a diminuição da carga horária poderá resultar em aproximadamente 30 mil unidades habitacionais financiadas a menos anualmente, devido ao encarecimento da produção. Esse número representa cerca de 6% da média anual de contratações do programa durante o atual governo.
Por sua vez, a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) aponta que a redução da jornada resultará em um acréscimo de 5,5% no preço final dos imóveis. Isso se deve ao aumento nos custos de produção, conforme um estudo realizado em colaboração com a consultoria Ecconit.
“A necessidade de aumentar as equipes em um setor já afetado pela falta de mão de obra qualificada poderá impactar os custos e os prazos das obras. Isso comprometerá tanto a viabilidade dos projetos quanto a disponibilidade de moradias”, alertou a associação empresarial.