Previsto para ser inaugurado no primeiro trimestre de 2027, o novo polo gastronômico do Canal de Camburi, localizado em Vitória, será um dos destaques da cidade. Por outro lado, o Centro Náutico da Guarderia, situado na Praça dos Desejos, deve começar suas atividades ainda em 2026. Ambos os projetos estão inseridos no programa Vitória de Frente para o Mar e serão geridos pela iniciativa privada.
O complexo do polo gastronômico irá ocupar uma área urbana superior a 30 mil metros quadrados, nas proximidades de marinas, deques e rampas. Em contrapartida, o Centro Náutico se concentrará em atividades relacionadas à economia azul e ao setor esportivo náutico.
A apresentação dessas previsões ocorreu na quarta-feira (7), quando a Prefeitura de Vitória e a Companhia de Desenvolvimento, Turismo e Inovação de Vitória (CDTIV) divulgaram detalhes sobre os editais de concessão dos espaços.
De acordo com a prefeita Cris Samorini, as obras do polo gastronômico devem ser finalizadas em novembro. “Após isso, iniciará a fase de acabamentos por parte do concessionário. Acredito que no começo de 2027 já teremos os espaços em operação”, afirmou.
Segundo a prefeita, após a conclusão da licitação e formalização da concessão, o responsável poderá começar as adaptações necessárias. “Nos primeiros meses, alguns farão ajustes e adequações, mas no primeiro trimestre de 2027 já estará funcionando”, garantiu.
Em relação ao Centro Náutico, o cronograma é mais apertado. Cris destacou que o foco está na reorganização das áreas destinadas às embarcações.
“O Centro Náutico terá ocupação imediata, pois precisamos reorganizar os espaços que atualmente não estão aptos para receber embarcações. Assim, sua operação acontecerá ainda em 2026.”
Cinco restaurantes estão previstos para a nova orla
O polo gastronômico contará com cinco módulos destinados a restaurantes. Conforme mencionado por Cris, quatro desses módulos estarão localizados próximo à Praia do Canto e um na direção do Jardim da Penha.
A proposta da administração municipal é estabelecer critérios que transcendam apenas a maior receita proveniente das concessões. O edital estabelece exigências que envolvem o perfil das operações e a capacidade dos empreendimentos de aumentar a atratividade da área.
“Já não é mais aceitável conceder espaços sem que eles proporcionem resultados que atendam às expectativas da cidade, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento do turismo gastronômico e experiências turísticas.”
Centro Náutico terá capacidade para mais de 600 embarcações
A estrutura da Guarderia terá espaço para acomodar mais de 600 embarcações, conforme informou a prefeita. Além disso, está prevista uma programação com competições e outras atividades voltadas ao setor náutico.
Cris enfatizou que o objetivo é criar uma função econômica e turística mais abrangente para a área. “Contamos com espaço para mais de 600 embarcações e planejamos um calendário repleto de competições e ações específicas para promover efetivamente o desenvolvimento”, afirmou.
Turismo entra na estratégia econômica da capital capixaba
Jairo Fernandes Siqueira, diretor-presidente da CDTIV, ressaltou que esses projetos aproveitam as características naturais de Vitória para expandir a oferta turística.
“Vitória é uma ilha e pode ser explorada em 360 graus através do turismo náutico. A intenção é oferecer experiências variadas que sempre estiveram disponíveis na cidade, mas agora estamos destacando”, declarou.
Siqueira explicou que as novas estruturas são parte integrante de uma estratégia mais ampla dentro do programa Vitória de Frente para o Mar. “Não alteramos nosso foco; estamos aproveitando nossa vocação natural dentro do planejamento da cidade.”
Com as recentes reformas tributárias em curso, a expansão das atividades turísticas ganhou maior relevância no planejamento econômico local. Para Siqueira, esse setor pode impulsionar o consumo e movimentar diversas áreas da economia capixaba.
“Quando afirmamos que o turismo deve ser central na nova estratégia econômica pós-reforma tributária, não se trata apenas da promoção das belezas locais; é essencial também para estimular o consumo interno.”
Siqueira acrescentou que essa estratégia envolve atrair novos investimentos e utilizar as características naturais da cidade tanto para turistas quanto para moradores locais.
Licitação será decidida pela melhor proposta financeira
Os editais referentes aos dois empreendimentos foram publicados nesta quarta-feira (7) no Diário Oficial Municipal. Os interessados poderão apresentar suas propostas começando nesta quinta-feira (8), com prazo até 3 de novembro.
Monique Chagas, diretora de Desenvolvimento de Negócios da CDTIV, esclareceu que mesmo pertencendo à mesma estratégia voltada à orla marítima, os projetos possuem finalidades distintas.
“Ambos são projetos com grande potencial econômico e turístico; entretanto possuem objetivos diferentes: um foca na atratividade esportiva e na economia azul enquanto o outro tem enfoque na gastronomia e na economia do mar.”
As concessões dos dois empreendimentos ocorrerão por meio de licitação eletrônica. O município definirá um valor mínimo inicial e os participantes poderão fazer lances sucessivos até alcançar aquele que for maior e atenda aos requisitos necessários.
Uma única empresa gerenciará os cinco módulos do polo gastronômico
A prefeitura optou por conceder todos os cinco módulos do polo gastronômico como um único lote. Dessa maneira, um único concessionário ficará encarregado pela administração total desse complexo comercial.
“Uma única empresa será responsável pelos cinco módulos comerciais; isso não significa que todos terão ofertas iguais. O intuito é diversificar as operações disponíveis”, detalhou Monique.
Para participar da concorrência pelo polo gastronômico, as empresas precisarão comprovar experiência na gestão de centros comerciais complexos com uma variedade de operações. No caso do Centro Náutico, os critérios incluem vivência em atividades náuticas bem como gerenciamento de eventos relacionados à guarda das embarcações.
Entidades sem fins lucrativos também poderão se inscrever desde que apresentem atividades compatíveis e cumpram as exigências estabelecidas nos editais.
Meta é prolongar estadia dos visitantes em Vitória
A CDTIV considera esses novos espaços como uma oportunidade para aumentar a duração das estadias dos visitantes em Vitória.
A capital capixaba atrai uma parcela significativa do turismo corporativo durante os dias úteis. A ideia é criar opções capazes de incitar esses visitantes a prolongarem suas viagens até o fim de semana.
“Atualmente Vitória se configura como um hub turístico; queremos proporcionar aos visitantes que chegam durante a semana por motivos profissionais opções atrativas que incentivem sua permanência e contribuam economicamente à cidade”, afirmou Monique.
A companhia está acompanhando dados preliminares sobre os efeitos decorrentes da requalificação em outras áreas da orla marítima. Segundo Monique, essas análises ainda estão nas fases iniciais; porém há grande expectativa quanto ao impacto positivo dos novos equipamentos sobre a movimentação econômica local e ao fortalecimento do turismo relacionado ao mar.