Nesta quarta-feira (7), a empresa brasileira Prio garantiu a aquisição de duas áreas do pré-sal na região capixaba da Bacia de Campos. A transação ocorreu durante o 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha de Produção, organizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no Rio de Janeiro.
Os blocos adquiridos foram denominados Magnetita e Hematita. Uma terceira área, chamada Turmalina, também foi disponibilizada, mas não recebeu propostas. Todos os três blocos são oficialmente reconhecidos pela ANP como parte da Bacia de Campos.
Conforme informações da agência reguladora, o bloco Magnetita abrange uma área de 2.010,81 quilômetros quadrados e está situado no setor SC-AP2 da Bacia. O bloco Hematita ocupa 1.652,80 quilômetros quadrados e se localiza no setor SC-AP1. Por sua vez, Turmalina, também pertencente ao SC-AP1, possui uma extensão de 1.437,80 quilômetros quadrados.
Prio conquista Magnetita e Hematita
A Prio foi a única a fazer ofertas pelos dois blocos em questão. Para Magnetita, a proposta apresentada à União foi de 32,80% do óleo excedente, um valor que representa um aumento de 132,79% em relação ao mínimo exigido para essa área. No caso de Hematita, a empresa ofereceu 7,18% do óleo excedente, correspondendo a um ágio de 315,03% sobre o percentual mínimo estipulado. Com isso, a Prio Forte S.A. detém 100% da participação e atuará como operadora nos blocos adquiridos.
O conceito de óleo excedente é crucial dentro do regime de partilha. Nesse modelo licitatório, vence a concorrência a empresa ou consórcio que oferecer à União a maior fração da produção que permanece após o pagamento das despesas relacionadas à exploração.
Por outro lado, o bloco Turmalina não recebeu propostas nesta rodada do leilão. Ele fazia parte das cinco áreas disponíveis na Bacia de Campos que incluíam também Magnetita, Hematita, Larimar e Azurita. Assim como Turmalina, Larimar também ficou sem propostas; enquanto Azurita foi arrematada pela Petrobras.
Investimentos previstos superam R$ 350 milhões
As diretrizes estabelecidas pela ANP antes do leilão previam investimentos mínimos substanciais para a fase exploratória dos três blocos. Para Magnetita e Hematita, o investimento mínimo estipulado era de R$ 122,8 milhões. Já em Turmalina, que não atraiu interessados, o valor estimado era cerca de R$ 110,3 milhões.
Se somados os compromissos mínimos para os três blocos, o total alcançava aproximadamente R$ 356 milhões. Como Turmalina não foi vendida, os investimentos relacionados aos dois blocos comprados pela Prio totalizam cerca de R$ 245,6 milhões.
O bônus de assinatura determinado para Magnetita é em torno de R$ 93,3 milhões; enquanto para Hematita é aproximadamente R$ 1,58 milhão. Esses valores são previamente fixados em edital e deverão ser quitados para que os contratos possam avançar até a assinatura final.
Leilão registra sete áreas arrematadas
No total, treze blocos do pré-sal foram oferecidos nesta quarta-feira. Desses, sete receberam propostas: Magnetita e Hematita na Bacia de Campos; além dos blocos Jade, Cruzeiro do Sul, Rubi e Rodocrosita na Bacia de Santos.
Esse resultado fez desta rodada uma das mais significativas até agora em termos de número de blocos vendidos na Oferta Permanente de Partilha. O ciclo anterior realizado em 2025 resultou na negociação de apenas cinco áreas.
Conforme informações da ANP, os bônus totais dos sete blocos arrematados somam R$ 530,4 milhões. Além disso, os investimentos mínimos esperados apenas para a fase inicial dos contratos voltada à exploração totalizam R$ 778,4 milhões.
Das 19 empresas habilitadas para participar do leilão, somente seis apresentaram propostas. Não houve competição direta pelos sete blocos vendidos; cada um recebeu oferta apenas de uma única companhia ou consórcio. Petrobras e Prio foram as empresas brasileiras com maior número de áreas adquiridas — ambas com duas aquisições cada uma.
Próximas etapas após o leilão
Entretanto, o resultado do leilão não implica imediatamente no início da exploração petrolífera. As companhias vencedoras devem seguir as etapas subsequentes definidas pela ANP: incluir a apresentação da documentação solicitada e efetuar o pagamento dos bônus estabelecidos.
Somente após completar esses processos será feita a assinatura dos contratos referentes à partilha da produção. Segundo cronograma divulgado pela ANP, espera-se que essa assinatura ocorra até 26 de fevereiro de 2027.
A Oferta Permanente de Partilha destina-se a áreas localizadas no Polígono do Pré-Sal e outras regiões consideradas estratégicas. Antes da inclusão dessas áreas no edital há diversas etapas que incluem análises realizadas pela ANP e autorizações necessárias do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), além das avaliações ambientais pertinentes.
Para os blocos Magnetita e Hematita , a autorização para sua inclusão na oferta foi obtida por meio da resolução do CNPE em 2025; enquanto Turmalina já contava com autorização anterior concedida em resolução publicada em 2022.
*Informações adicionais foram extraídas da Agência Brasil.