Márcio Milan, vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), declarou que a iniciativa do governo em banir as apostas esportivas chegou em um momento tardio. Ele enfatizou a importância de que essas restrições sejam acompanhadas por campanhas educativas voltadas ao consumidor. “Consideramos que essa decisão foi um pouco atrasada”, afirmou durante uma entrevista à imprensa na quinta-feira, 1º.
De acordo com Milan, a Abras começou a alertar o governo há mais de um ano sobre as consequências das apostas no orçamento familiar. A entidade defendia a implementação de normas mais rigorosas para propaganda e tributação, mas acredita que as ações tomadas até agora não foram suficientes para diminuir o volume de apostas. “Essas atividades competem diretamente com a renda disponível das famílias”, destacou.
Milan também ressaltou que as preocupações da Abras vão além dos efeitos no consumo, abrangendo riscos sociais, financeiros e à saúde pública. Ele acredita que, enquanto o setor de supermercados promove alimentação e qualidade de vida, as apostas podem resultar em uma “doença social”.
O vice-presidente acrescentou que uma proibição isolada não é suficiente para solucionar o problema e pode favorecer o crescimento do mercado ilegal. Por essa razão, ele defende campanhas de conscientização semelhantes às iniciativas contra o tabagismo.
Crescimento do consumo nos lares em agosto
Em agosto, o consumo nos lares brasileiros apresentou uma alta de 2,21% em relação a julho, conforme indicam os dados da Abras. Comparado ao mesmo mês em 2025, houve um aumento de 2,69%. No total acumulado entre janeiro e agosto, o crescimento é de 2,71%.
Esse resultado mantém uma tendência positiva no indicador, apesar de apresentar um ritmo mais moderado em comparação ao salto de 3,01% observado entre junho e julho.
Segundo Milan, esse desempenho é sustentado pela melhoria no mercado de trabalho e pelo aumento da renda. A taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre finalizado em agosto, enquanto a população ocupada atingiu 103,5 milhões de pessoas, um recorde histórico.
Entretanto, ele chamou a atenção para o crescente comprometimento da renda familiar, que subiu para 28,7% em julho, contra 27,3% no mesmo período do ano anterior. “Isso ajuda a entender por que o consumo continua positivo, mas os consumidores estão mais atentos aos preços e promoções”, comentou.
Análise da cesta básica
A cesta Abrasmercado, composta por 35 itens essenciais do dia a dia, apresentou uma redução de 0,57% em agosto. Este foi o terceiro mês consecutivo de queda após recuos anteriores de 0,28% em junho e 1,24% em julho. Com isso, o preço médio caiu de R$ 841,95 para R$ 837,14. Contudo, no acumulado do ano ainda há um aumento significativo de 4,60%.
Por outro lado, a cesta com 12 produtos básicos teve um comportamento diferente e mostrou uma leve elevação de 0,09% em agosto comparado a julho. O valor médio nacional passou para R$ 356,76. No período acumulado entre janeiro e agosto dessa cesta específica houve um avanço de 4,81%.
Para os próximos meses do último trimestre do ano, a Abras identifica fatores que podem impulsionar o consumo como o reajuste do Bolsa Família, o pagamento do décimo terceiro salário e eventos como Black Friday e as festividades de fim de ano. A entidade estima que aproximadamente R$ 49 do valor adicional médio do Bolsa Família por família poderão ser utilizados para compras nos lares.
Além disso, a associação está atenta ao aumento dos preços dos alimentos na prévia da inflação referente ao mês de setembro e aos impactos climáticos na oferta desses produtos. “Ainda é prematuro afirmar se essa pressão sobre os preços vai se manter nos próximos meses”, concluiu Milan.