O Espírito Santo alcançou uma nova posição no cenário do turismo brasileiro, segundo análises de especialistas que monitoram o comportamento dos viajantes no país. Claiton Armelin, diretor de Produtos da CVC Corp, declarou: “Estamos na Série A do Brasileirão do turismo”. Ele fez essa afirmação durante o painel Turismo como alavanca do Varejo Capixaba, parte do evento Data Business Varejo, organizado pela Rede Vitória e pela Apex Partners.
A declaração de Armelin foi o ponto de partida para um debate que envolveu representantes do setor público, empresários e especialistas do mercado. A conversa girou em torno de como a evolução do turismo pode impulsionar o consumo, os serviços e o varejo no Espírito Santo. De acordo com Armelin, o estado passou da 31ª para a 12ª posição entre os destinos mais procurados pela CVC, ingressando assim na “Série A” do turismo nacional.
Turismo como motor do consumo
Pedro Rigo, superintendente do Sebrae-ES, ressaltou que o crescimento no setor turístico deixou de ser uma mera expectativa e se consolidou como um elemento crucial para a economia capixaba. Ele mencionou que essa atividade possui o potencial de diversificar a matriz econômica do estado em meio às mudanças fiscais e econômicas previstas para os próximos anos. “O turismo ainda representa uma fração pequena da economia local, mas é capaz de fomentar o consumo de varejo dentro do Estado”, afirmou.
Rigo detalhou que desde 2024 o Sebrae adotou uma abordagem prioritária em relação ao turismo e desenvolveu uma estratégia fundamentada em três pilares: produto, mercado e governança. O objetivo é preparar empreendedores, especialmente micro e pequenas empresas, para que façam parte de uma rede organizada voltada para experiências turísticas.
Não adianta ter produto e empreendedor se isso não gera negócio. Para gerar negócio, precisa ter fluxo de pessoas querendo consumir.
Pedro Rigo, superintendente do Sebrae-ES
Valdeir Nunes, presidente do Conselho Estadual de Turismo (Contures), destacou que a força crescente do setor é resultado da colaboração entre governo e iniciativa privada. Ele acredita que a liderança empresarial tem sido fundamental em um processo que antes era excessivamente dependente das ações públicas. “O turismo deve ser uma prioridade de Estado e não apenas uma pauta governamental. Sem continuidade nos esforços, não conseguiremos desenvolver o setor”, enfatizou.
Nunes também mencionou a elaboração de um plano de marketing desenvolvido em conjunto pelo trade turístico, pelo Sebrae e pelo governo estadual. Esse documento estabeleceu prioridades e definiu estratégias a longo prazo para posicionar o Espírito Santo como um destino competitivo.
Hoje, o Estado tem direcionamento claro e isso facilita muito o trabalho de posicionamento.
Valdeir Nunes, presidente do Contures
ES sobe no ranking da CVC
Claiton Armelin avaliou que a ascensão do Espírito Santo na classificação se deu por meio da expansão da infraestrutura hoteleira, organização dos destinos turísticos e participação mais significativa em feiras nacionais. Ele lembrou que há cerca de 15 anos a inserção do estado nas ofertas das operadoras era limitada devido à predominância do turismo corporativo e à escassez de leitos disponíveis fora da alta temporada.
Segundo ele, a chegada de grandes redes hoteleiras aliada à organização dos destinos possibilitou criar produtos turísticos adequados tanto para as áreas litorâneas quanto para as serranas. Como resultado dessa evolução prática, “o Espírito Santo saiu da 31ª posição para a 21ª e agora já ocupa a 12ª colocação. Estamos definitivamente na Série A do Brasileirão turístico no Brasil”, afirmou.
Armelin também apresentou dados relevantes sobre o impacto econômico gerado pelo turismo local: cada turista transportado pela CVC gasta em média R$ 983 por dia no Espírito Santo, sem contar os gastos com passagens aéreas. Para aumentar esse impacto positivo, as estratégias atuais visam fortalecer roteiros integrados e otimizar a ocupação durante os períodos menos movimentados.
No encerramento do painel, os participantes concordaram que o progresso no setor turístico dependerá da sustentabilidade da governança estabelecida nos últimos anos. O setor espera que até 2030 o Espírito Santo seja reconhecido entre os dez destinos mais vendidos pela CVC no Brasil, expandindo assim consumo, serviços e receitas nas diversas cadeias do varejo capixaba.