O Brasil finalizou o ano de 2025 com mais de 9 milhões de visitantes internacionais, um aumento impressionante de 40% em comparação ao ano anterior. Esse crescimento coloca o país na liderança global em turismo internacional, superando destinos tradicionais como Egito e Japão. Assim, o Brasil se firmou no cenário do turismo mundial e promete continuar nesse ritmo ascendente nos próximos anos.
Esse panorama otimista traz perspectivas favoráveis para o turismo no Espírito Santo. A dinâmica que impulsionou o aumento de turistas no país pode igualmente beneficiar os destinos capixabas.
Deslocamento de turistas em busca de novas experiências
O crescimento do turismo no Brasil está associado à tendência de turistas abandonarem locais saturados, como Paris, Roma e Londres, que enfrentam desafios relacionados ao excesso de visitantes. Agora, viajantes estão em busca de experiências menos comerciais, e o Brasil se destacou nessa categoria, assim como regiões do Sudeste Asiático e do Leste Europeu.
Embora as cidades mais visitadas do Brasil – São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador – não enfrentem um turismo excessivo, elas contam com uma infraestrutura turística bem desenvolvida. Nesse contexto global, o Espírito Santo pode se afirmar como um destino inexplorado para aqueles que desejam uma vivência mais autêntica a apenas uma hora de voo das metrópoles brasileiras.
As montanhas capixabas, o Parque Nacional do Caparaó e o litoral são grandes atrativos que podem contribuir para esse crescimento.
A influência das redes sociais na atração de turistas
As plataformas sociais desempenharam um papel crucial no surto do turismo brasileiro. O país é conhecido por suas paisagens deslumbrantes que viralizaram no TikTok e Instagram nos últimos anos: praias paradisíacas, cenários urbanos vibrantes, natureza exuberante, festivais como o Carnaval e sua rica gastronomia. Destinos como Ilha Grande e Chapada Diamantina tornaram-se populares organicamente entre os mercados europeu e norte-americano ao longo dos últimos dois anos.
A valorização do conteúdo local que destaca as belezas das cidades capixabas está em ascensão. Influenciadores nacionais e internacionais têm visitado o estado e deixado recomendações positivas. As narrativas curtas criadas por viajantes que retornaram com boas experiências sobre custo-benefício e hospitalidade têm sido mais eficazes do que qualquer campanha publicitária oficial.
Aumento na disponibilidade de voos e pacotes turísticos
A demanda pelo turismo brasileiro cresceu principalmente devido às redes sociais e à busca por experiências autênticas. Contudo, a logística também é fundamental para esse desenvolvimento. Ao final de 2025, foram registrados 17 milhões de lugares disponíveis em voos internacionais para o Brasil, representando um aumento de 80% em relação a 2022.
Esse acréscimo na oferta resultou em uma alta nas vendas de pacotes turísticos. As passagens aéreas do exterior para destinos brasileiros tiveram um crescimento acumulado de 41,6% em 2025, destacando-se mercados como Colômbia (65%), México (47%), Argentina (37%) e Peru (26%), conforme dados da Embratur.
<pNesse contexto promissor, o Espírito Santo possui razões para ser otimista. A CVC, maior operadora turística da América Latina, decidiu realizar sua Convenção Nacional de Vendas no estado para promover cidades como Pedra Azul, Vitória, Guarapari e Vila Velha em seu portfólio – seguindo a estratégia aplicada com sucesso em Gramado e Porto Seguro.
No aspecto logístico, o Aeroporto de Vitória registrou um fluxo recorde de passageiros e há planos para aumentar a quantidade de voos disponíveis – incluindo a expectativa da inauguração de uma rota internacional. Organizações como Senac e Sebrae estão ativamente trabalhando para facilitar a chegada de turistas provenientes dos cruzeiros que navegam pela costa capixaba.
No momento atual, a prioridade é estimular a demanda a fim de atrair investimentos no setor turístico e acompanhar o crescimento nacional.
“No Espírito Santo, nos questionamos sobre qual vem primeiro: a oferta ou a demanda? É essencial primeiro trazer os visitantes; depois ajustamos a oferta”, afirma Fernando Cinelli, fundador e presidente da Apex.