Nas redes sociais, Otavio Fakhoury usa a frase “Deus, Família e Pátria” para se definir. Empresário bolsonarista, ele também é vice-presidente do Instituto Força Brasil, presidente do diretório do PTB em São Paulo e já foi gestor do banco Lehman Brothers nos EUA.
Suspeito de financiar a divulgação de informações falsas sobre a pandemia, Fakhoury compareceu nesta quinta-feira (30) à CPI da Covid. Ele, entretanto, obteve no Supremo Tribunal Federal (STF) direito de ficar em silêncio para não se autoincriminar.
Fakhoury está na mira de senadores desde agosto, quando os parlamentares aprovaram a quebra dos sigilos bancário, telefônico e telemático dele.
Além disso, foi o Instituto Força Brasil que tentou intermediar a negociação de vacinas contra Covid entre a empresa Davatti e o Ministério da Saúde. O presidente da entidade, tenente-coronel Hélcio Bruno, já foi ouvido pela CPI.
O empresário Otávio Fakhoury — Foto: Arquivo pessoal
Na política, antes de ocupar a presidência do diretório do PTB em São Paulo, Fakhoury foi tesoureiro do PSL em São Paulo – à época, o diretório era presidido pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro.
O nome de Fakhoury também aparece no inquérito da Polícia Federal que investiga os responsáveis por atos antidemocráticos realizados no ano passado.
Investigadores encontraram, ainda, documentos sobre a campanha eleitoral do presidente Jair Bolsonaro em 2018. O material indica que Fakhoury financiou quase R$ 50 mil em material para campanha. Os gastos não constam na declaração à Justiça Eleitoral.
Os investigadores apreenderam com o empresário, segundo o relatório, notas fiscais de duas gráficas que imprimiram milhares de adesivos e panfletos. A PF ainda diz no documento ter localizado uma mensagem do empresário oferecendo apoio a atos antidemocráticos.
Fakhoury afirmou que as notas fiscais se referem a pagamento de despesas de amigos que fazem parte de movimentos sociais. Ele ainda disse que não comunicou ao candidato, à coordenação da campanha ou a pessoas próximas a Bolsonaro sobre esses pagamentos porque não se tratava de doações de campanha. Afirmou, também, que declarou aos órgãos competentes todas as contribuições a campanhas eleitorais.
A Polícia Federal também encontrou uma troca de mensagens entre Fakhoury e o ex-deputado Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, na qual eles discutiram uma proposta para dissolver o STF e o Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O empresário sugeriu “uma saída plebiscitária”. De acordo com os documentos, a ideia foi discutida por advogados e empresários aliados de Bolsonaro.
Uma das alternativas debatidas era a edição de uma medida provisória para garantir ao Executivo exclusividade para submeter temas a um referendo popular. Fakhoury reconheceu dificuldades para a cassação dos ministros e falou na necessidade de apoio popular e das Forças Armadas. E propôs também a dissolução do STF, mesmo que por plebiscito, é inconstitucional.