Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, que foi proprietário do antigo Banco Master, exercia uma função fundamental na gestão do grupo chamado A Turma, identificado pela Polícia Federal (PF) como uma milícia individual do ex-banqueiro.
No dia 14 de setembro, Henrique foi detido durante a sexta fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras de grande escala relacionadas ao Banco Master e à atuação de Daniel Vorcaro com autoridades públicas.
A principal mira desta nova etapa da operação recai sobre os grupos conhecidos como A Turma e Os Meninos. Um relatório enviado pela PF ao Supremo Tribunal Federal (STF) revela que ambos os grupos eram compostos por membros que realizavam monitoramento e intimidação contra adversários de Henrique e Daniel Vorcaro.
Em suma, a análise nesta fase indica que HENRIQUE MOURA VORCARO não apenas se beneficiava dos serviços ilícitos prestados pela Turma, mas também os solicitava, financiava suas operações e mantinha contato com seus membros mesmo após o início das investigações, evidenciando um vínculo funcional intenso e essencial para a continuidade do grupo criminoso.
André Mendonça, ministro do STF
A descoberta dessa milícia pessoal ocorreu quando a PF analisou mensagens extraídas do celular de Vorcaro. As provas sobre as atividades ilegais do grupo aumentaram conforme as investigações progrediram, incluindo conversas obtidas do celular de Marilson Roseno da Silva, um policial federal aposentado.
Vazamento de investigações
Os documentos revelam que Marilson desempenhava um papel crucial na execução das ações intimidatórias contra os opositores de Vorcaro. Ele também obteve informações confidenciais sobre investigações em andamento que visavam Henrique e Daniel Vorcaro, em troca de pagamentos feitos a uma delegada e a um agente da própria Polícia Federal.
O policial Anderson da Silva Lima, lotado na superintendência da PF no Rio de Janeiro, “era acionado para consultas simples de dados e também para investigar processos policiais sigilosos diretamente relacionados ao núcleo VORCARO, mobilizando sua rede de confiança dentro da corporação”, conforme relatou a PF.
<pA pedido da PF, o ministro Mendonça determinou a transferência de Marilson Roseno da Silva para o Sistema Penitenciário Federal devido ao seu papel central na organização A Turma. Anderson da Silva Lima também foi preso preventivamente na mesma data.
Marilson ocupa uma posição de liderança no núcleo “A Turma”, em uma hierarquia elevada, sendo essencial sua custódia em um local com rigor maior de fiscalização e restrição de contatos, visando impedir sua influência na organização criminosa ou o comprometimento das investigações.
André Mendonça, ministro do STF
A PF identificou Felipe Mourão, conhecido pelo apelido Sicário, como outra figura importante dentro dos grupos criminosos. Ele havia sido preso em uma fase anterior da Operação Compliance Zero, mas pôs fim à própria vida na cela onde estava detido na superintendência da PF em Belo Horizonte.
Jogo do bicho e ameaças
Nesta quinta-feira também foi detido Manoel Mendes Rodrigues, suspeito de liderar uma filial da Turma no Rio de Janeiro. Conforme as apurações da PF, ele teria participado ativamente de ameaças de morte diretas a um comandante de iate e a um chefes de cozinha em Angra dos Reis (RJ).
Pessoas ameaçadas relataram que Manoel fez as ameaças pessoalmente e afirmou ser “amigo de Vorcaro” enquanto mencionava estar envolvido com o jogo do bicho.
Fuga com computadores
No relatório parcial elaborado pela PF, David Henrique Alves é mencionado como outra figura relevante na organização criminosa; ele seria encarregado da contratação de hackers para realizar monitoramentos ilegais e ataques digitais.
Alves já havia sido preso em uma fase anterior da Compliance Zero enquanto tentava fugir em um carro pertencente a Felipe Mourão. No veículo foram encontrados cinco computadores e objetos pessoais. A PF suspeita que esses equipamentos tinham intenção de serem destruídos.
Ainda foram detidos Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos e Victor Lima Sedlmaier, considerados hackers responsáveis pelos crimes cibernéticos cometidos.
Prisões
No total, sete indivíduos foram presos nesta quinta-feira (14), são eles:
- Anderson da Silva Lima
- David Henrique Alves
- Henrique Moura Vorcaro
- Manoel Mendes Rodrigues
- Victor Lima Sedlmaier
- Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos
- Sebastião Monteiro Júnior
Defesa
A defesa de Henrique Vorcaro divulgou uma nota classificando sua prisão como “grave e desnecessária”, enfatizando que ocorreu antes mesmo que seu cliente fosse ouvido nas investigações.
A decisão é fundamentada por fatos cuja validade legal ainda não foi comprovada no processo. E isso ocorre porque não houve solicitação à defesa nem ao próprio Henrique.
Eugênio Pacelli e Frederico Horta, advogados de Henrique Vorcaro