Na manhã de terça-feira (28), um evento inusitado ocorreu no Pronto Atendimento de São Pedro, localizado em Vitória. A jovem Maria Júlia, de apenas 18 anos, chegou ao hospital sentindo intensas dores abdominais, sem ter conhecimento de que estava grávida.
A situação levantou uma questão intrigante: é realmente possível que uma mulher não perceba sua gravidez até o momento do parto? Para entender melhor essa possibilidade, consultamos uma especialista.
É viável desconhecer a gravidez até o parto?
A ginecologista e obstetra Karina Bourguignon, da Unimed Sul Capixaba, esclarece que, apesar de ser incomum, existem casos em que a mulher só descobre a gestação nas últimas semanas.
Esse fenômeno é denominado gravidez críptica. Geralmente, a descoberta ocorre entre o segundo e o terceiro trimestre; no entanto, em situações excepcionais, a mulher pode ignorar a gestação até o início do trabalho de parto.
Karina Bourguignon, ginecologista e obstetra da Unimed Sul Capixaba
A profissional destaca que essa situação é mais comum quando os sinais típicos da gravidez são muito sutis ou inexistem, podendo ser confundidos com outras condições médicas.
Fatores que podem levar à descoberta tardia
Conforme explica Karina Bourguignon, diversos fatores podem fazer com que a gestação passe despercebida:
- Alterações hormonais atípicas;
- Ciclos menstruais irregulares;
- Sangramentos durante a gravidez;
- Ausência de sintomas clássicos;
- Uso contínuo de anticoncepcionais;
- Aspectos psicológicos que dificultam o reconhecimento da gestação.
“Em muitos casos, os sintomas podem ser tão leves ou intermitentes que passam desapercebidos. Sintomas como náuseas, sensibilidade mamária, fadiga e até mesmo aumento abdominal podem não ser notados claramente”, observa a ginecologista.
Riscos associados para mãe e bebê
A identificação tardia da gravidez pode acarretar riscos adicionais, especialmente pela falta de acompanhamento pré-natal. Isso pode afetar o controle de condições como hipertensão gestacional e diabetes gestacional, além de dificultar a detecção antecipada de problemas no desenvolvimento fetal.
“Há também um aumento na probabilidade de parto prematuro e situações que requerem intervenções urgentes”, alerta Karina Bourguignon.
A realização do pré-natal é essencial para garantir a saúde tanto da mãe quanto do bebê. Sem esse acompanhamento adequado, condições importantes como pré-eclâmpsia, restrição ao crescimento fetal, infecções e problemas placentários podem passar despercebidos.
Sinais que devem ser observados
A médica enfatiza que alguns sinais devem ser monitorados atentamente, mesmo quando discretos:
- Mudanças no ciclo menstrual;
- Episódios frequentes de náusea;
- Aumento de peso inexplicável;
- Sensação de movimento na região abdominal;
- Cansaço constante.
É sempre recomendável buscar avaliação médica diante de qualquer dúvida e realizar exames. O diagnóstico precoce possibilita um acompanhamento mais seguro e adequado durante toda a gestação.
Karina Bourguignon, ginecologista e obstetra da Unimed Sul Capixaba