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Farmacêutica compartilha dica surpreendente para domar a fome constante

Texto redigido por Raigna Vasconcelos

Profissional da farmácia magistral há três décadas em Vitória.

Após almoçar e sentir-se satisfeito, você se vê abrindo a gaveta duas horas depois e pegando um biscoito. Depois vem outro, e mesmo pensando em parar, acaba não conseguindo.

Se essa situação lhe parece familiar, pode ser que a questão não esteja na falta de disciplina. O problema pode estar relacionado ao seu metabolismo.

No texto anterior, abordei como hábitos diários podem manter a insulina elevada sem que exames demonstrem isso. Se ainda não conferiu, é recomendável começar por lá, pois agora vamos analisar a consequência imediata desse fenômeno: a sensação de fome constante.

Ciclo que o cérebro mantém ativo

Quando uma pessoa se alimenta frequentemente com carboidratos de rápida absorção por longos períodos, seu metabolismo passa a operar em um padrão oscilante: os níveis de glicose aumentam, a insulina é liberada rapidamente, e logo após isso ocorre uma queda brusca da glicose, resultando em uma vontade compulsiva de comer novamente.

No entanto, essa vontade não é determinada pelo estômago; o responsável é o cérebro.

Embora represente cerca de 2% do peso corporal total, o cérebro consome entre 20% e 25% da glicose disponível no corpo (Mergenthaler et al., 2013, Trends in Neurosciences). Ele é o órgão que mais necessita dessa fonte energética. Quando os níveis de glicose começam a diminuir após um pico, sua reação é imediata.

E essa reação não busca uma refeição balanceada, mas sim uma fonte rápida de glicose. Por isso, nesse momento as opções que vêm à mente são geralmente biscoitos, chocolates ou pães — alimentos que oferecem energia rapidamente. Essa resposta não indica falta de força de vontade; é o cérebro tentando restaurar sua energia urgentemente.

Essa situação se reflete nos relatos que recebo dos profissionais médicos com quem colaboro. Uma endocrinologista com quem trabalho frequentemente afirma: “A paciente acredita que come pouco. E realmente come. O problema está na frequência com que come e nos picos constantes.” Quando analisamos os níveis basais de insulina dessas pacientes, normalmente encontramos valores elevados. Assim, o cérebro fica preso em um ciclo vicioso.

Números do meu sangue sob observação

No texto anterior mencionei a importância da insulina basal, um marcador muitas vezes negligenciado. Pois bem, eu monitoro a minha própria insulina basal.

Atualmente, meus níveis estão próximos a 3 μUI/mL. Embora esse número não seja uma regra geral ou algo mágico, na prática clínica que acompanho com prescritores, quanto mais baixa for a insulina basal, melhor tende a ser o desempenho metabólico. Em medicina preventiva, valores entre 2 e 6 μUI/mL são geralmente associados à boa sensibilidade à insulina.

Estudos como os do Framingham Offspring Study e publicações no Diabetes Care e no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism associam altos níveis de insulina em jejum ao aumento do risco de obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

A questão nem sempre se apresenta primeiramente pela glicose; muitas vezes está relacionada à insulina que atua nos bastidores.

Métodos para suavizar as oscilações do metabolismo

Além das estratégias alimentares discutidas anteriormente, utilizo um recurso que tenho recomendado para prescritores: o Reducose, um extrato padronizado das folhas da amoreira branca (Morus alba).

Seu funcionamento é simples: esse composto inibe a α-glicosidase, enzima responsável pela degradação de carboidratos no intestino delgado. Com isso, parte da glicose é liberada mais lentamente. Um estudo clínico randomizado publicado na Nutrients (Thondre et al., 2024) revelou que o Reducose reduziu os níveis de glicose pós-refeição em até 33% e os níveis de insulina em até 38% quando comparado ao placebo. Outro estudo publicado no PLoS ONE (Lown et al., 2017) demonstrou uma redução de até 42% nos picos glicêmicos e 41% nos picos insulínicos após ingestão de sacarose.

Pessoalmente, uso sob demanda: antes das refeições ricas em carboidratos. Não substitui uma alimentação equilibrada, mas ajuda a amenizar os picos responsáveis pela fome constante.

Cada organismo reage de maneira singular. Contudo, à medida que o metabolismo começa a se ajustar, a sensação de fome deixa de dominar o dia-a-dia.

Analisando antes das intervenções drásticas

Nos últimos anos, muitos têm optado por intervenções agressivas como medicamentos injetáveis ou cirurgia bariátrica. Em certos casos essas opções são necessárias. No entanto, antes de considerar tais abordagens invasivas, vale a pena examinar aspectos fundamentais como resistência à insulina, padrões alimentares e ciclos glicêmicos.

Corrigir esses ciclos na raiz pode levar a mudanças significativas antes mesmo da adoção de medidas mais radicais.

Referências 

  1. Mergenthaler, P. et al. (2013). Sugar for the brain: the role of glucose in physiological and pathological brain function.Trends in Neurosciences, 36(10), 587-597. 
  2. Thondre, P.S. et al. (2024). Understanding the impact of different doses of Reducose mulberry leaf extract on blood glucose and insulin responses after eating a complex meal.Nutrients, 16(11), 1670. 
  3. Lown, M. et al. (2017). Mulberry leaf extract improves glycaemic response and insulaemic response to sucrose in healthy subjects.PLoS ONE (PMC8047566). 
  4. Wilson, P.W. et al. (Framingham Offspring Study). Múltiplas publicações associando insulina de jejum a risco cardiometabólico.Diabetes Care e Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism.

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