A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados escolheu a deputada Erika Hilton (Psol-SP) para presidir o colegiado neste ano. Ela foi eleita com 11 votos a favor e dez votos em branco, substituindo a deputada Célia Xakriabá (Psol-MG).
Ao assumir a presidência, Erika Hilton ressaltou que é a primeira mulher trans a liderar a comissão e afirmou que seu objetivo é conduzir a gestão por meio do diálogo e da defesa dos direitos das mulheres.
Esta presidência não é apenas um nome, é o símbolo de uma democracia que se expande. Minha gestão tratará de todas as mulheres: das mães solo, das mulheres trabalhadoras, das mulheres negras, indígenas e das que lutam por sobrevivência e dignidade em todos os cantos deste país.
Erika Hilton, deputada
Prioridades
Entre as prioridades da nova gestão estão:
- fiscalizar a rede de proteção e as Casas da Mulher Brasileira;
- enfrentar a violência política de gênero;
- promover políticas de saúde integral para as mulheres.
Críticas da oposição
Parlamentares da oposição lamentaram a eleição de Erika Hilton, argumentando que a presidência da comissão deveria ser ocupada por uma mulher cisgênero. Elas também criticaram o que consideraram uma “ideologização” da comissão.
“Não podemos concordar com a entrega desta comissão, que deveria zelar pela dignidade da mulher, da vida e da família, a uma pauta que desvirtua a própria essência feminina”, disse Chris Tonietto (PL-RJ).
A deputada Clarissa Tércio (PP-PE) afirmou que a liderança da comissão deveria ser exercida por uma “mulher de fato”, alegando que a escolha de Erika Hilton representa um retrocesso para a pauta feminina e uma afronta aos valores que ela defende como representante de um segmento conservador.
Nós não podemos nos calar diante do que estamos vendo. Esta comissão é das mulheres, e nós queremos ser representadas por mulheres de verdade, que entendem a nossa natureza e os nossos desafios biológicos.
Clarissa Tércio, deputada
Pluralidade
A deputada Laura Carneiro, eleita 1ª vice-presidente da Comissão, ressaltou que o foco do trabalho deve ser a vida das mulheres brasileiras, independentemente de ideologias.
“Esta comissão tem uma história de muitas lutas e conquistas. Como vice-presidente, meu compromisso é trabalhar ao lado da presidência e de todas as colegas para que o nosso foco seja um só: o direito e a dignidade de cada mulher deste País”, afirmou.
A deputada Erika Kokay (PT-DF) destacou a instalação do colegiado como um momento de resistência, defendendo a legitimidade da presidência eleita e criticando as tentativas de cercear o debate por meio de preconceitos.
Para ela, a comissão deve ser um espaço inclusivo para acolher a diversidade de todas as mulheres brasileiras.
“Nós não vamos aceitar que esta Casa seja palco para o ódio. Esta comissão trabalhará pela vida das mulheres, pela igualdade e, sobretudo, para que o Estado Brasileiro cumpra o seu papel de proteger quem está em vulnerabilidade.”