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Economistas projetam um crescimento de 1,1% no PIB brasileiro no primeiro trimestre de 2023

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deverá apresentar uma recuperação expressiva no primeiro trimestre deste ano, impulsionado pelo aumento da renda e pela resistência do mercado de trabalho, além das políticas de estímulo à demanda implementadas pelo governo federal, conforme a análise de economistas consultados.

A expectativa do mercado para o crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2026 é de 1,1% (mediana), representando um avanço em relação ao incremento de apenas 0,1% verificado nos três últimos meses de 2025. As previsões para este indicador variam entre 0,6% e 1,7%.

No que diz respeito ao segundo trimestre, a mediana aponta para um crescimento de 0,5%, com variações que vão desde uma estabilidade (0,0%) até 2,3%. Para o PIB total do ano de 2026, a projeção média é de uma alta de 1,9%, o que representa uma desaceleração em comparação aos 2,3% registrados no acumulado de 2025. As estimativas anuais oscilam entre 1,5% e 2,2%.

Crescimento mais amplo da economia

A perspectiva para os primeiros meses deste ano se difere da observada em anos anteriores, quando o PIB apresentava forte desempenho apenas devido ao setor agropecuário.

Nicolas Borsoi, estrategista sênior da Tullett Prebon, projeta um crescimento de 1,2% para o PIB no primeiro trimestre. Essa previsão está alinhada com a expectativa de uma recuperação mais ampla nas atividades durante esse período.

“Estamos iniciando o ano com um desempenho bastante sólido. Há vários estímulos fiscais atuando simultaneamente. O mercado de trabalho está aquecido e a concessão de crédito permanece robusta”, analisa o economista.

Borsoi considera sua projeção “um pouco conservadora”, especialmente após o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) ter aumentado em 1,29% no primeiro trimestre em comparação ao quarto trimestre do ano anterior. Ele destaca que um dos fatores surpreendentes foi o crescimento da indústria em 1,3% nos primeiros meses do ano. “Mesmo a indústria, que deveria estar sendo impactada pelos juros elevados, teve um bom desempenho neste início de ano”, observa.

A Tullett Prebon estima um crescimento de 2% para o PIB em 2026. Segundo Borsoi, as medidas governamentais para estimular a economia e o cenário favorável nas exportações têm contribuído positivamente para essa estimativa.

Renda e mercado de trabalho sustentam atividade

Para Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Asset, a expansão do PIB nos primeiros três meses deste ano deve ser em torno de 1%. Ela projeta aumentos setoriais específicos: agropecuária com alta de 0,79%, serviços com crescimento de 0,80% e indústria com avanço de 1,05%.

“A renda continua sendo fundamental para o crescimento econômico. O mercado de trabalho está superaquecido e a massa salarial mantém-se crescente em termos reais”, afirma ela.

<pKawauti ainda ressalta que os principais estímulos governamentais no primeiro trimestre foram impulsionados pela ampliação da faixa isenta do Imposto de Renda, gerando efeitos positivos especialmente no setor serviços.

Impacto das medidas governamentais

A respeito da agropecuária, a economista observa uma diminuição na força desse setor se comparado aos mesmos períodos dos anos anteriores; isso se deve à alta base de comparação.

“Não se trata realmente de uma piora”, afirma ela, destacando que a safra agrícola teve um bom desempenho nesse intervalo.

No setor industrial, Kawauti aponta que houve recuperação durante o início do ciclo de cortes na taxa Selic. Os segmentos relacionados à indústria extrativa e ao petróleo mostraram resultados positivos após março, período marcado pelo início do conflito no Oriente Médio.

A Lifetime projeta um crescimento anual do PIB na ordem de 1,9%. Embora esse número seja inferior às expansões observadas nos quatro anos anteriores, Kawauti enfatiza que ainda representa um aumento significativo considerando a elevada base comparativa. “Trata-se de uma alta próxima aos 2%, sobre uma base já robusta após anos consecutivos de crescimento acima da média histórica.”

Projeções do Rabobank

No Rabobank, a expectativa é por um crescimento ligeiramente inferior para o PIB no primeiro trimestre: cerca de 0,9%.

Em relatório elaborado pelo economista-chefe para a América do Sul e pelo especialista em Brasil do banco, eles comentam que mesmo com uma queda mensal em março, o IBC-Br registrou um aumento trimestral significativo de 1,29%.

“Isso indica uma aceleração nas atividades econômicas comparadas ao fim de 2025”, ressaltam eles ao mencionar especialmente os avanços proporcionados pelo aumento na renda e pela força do mercado laboral.

Para o total deste ano fiscalizado pelo banco há uma projeção positiva com alta estimada em torno dos 1,8%. Eles também alertam que as tensões resultantes do conflito no Oriente Médio podem gerar impactos diversos sobre a economia interna.

“Embora isso pressione as atividades (para baixo), também fortalece nossa balança comercial ao contribuir gradualmente para sua aceleração”, concluem.

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