O ministro Flávio Dino, que atua no Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu um prazo de 48 horas para que a Câmara dos Deputados apresente esclarecimentos sobre a viagem do deputado Mário Frias (PL-SP) ao Bahrein e aos Estados Unidos.
Em uma entrevista para o SBT News, Frias comentou que, na semana anterior, esteve no Bahrein com o objetivo de “propor investimentos no Brasil” e agora se encontra nos Estados Unidos, onde pretende “explorar oportunidades de investimento em segurança pública”.
O parlamentar afirmou que retornará ao Brasil em breve. “Possuo passagem de volta para o Brasil. Tenho uma filha de 14 anos e minha esposa estão lá. Não tenho pendências e estou preparado para prestar contas”, acrescentou.
Notificação
A determinação do ministro Flávio Dino foi oficializada nesta quarta-feira (20), depois que um oficial de Justiça da Corte não conseguiu notificar o deputado sobre a necessidade de explicar o envio de emendas parlamentares a uma organização não-governamental (ONG) vinculada à produtora responsável pela cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Até o momento, o servidor tentou contatar Frias e seu gabinete cinco vezes.
No dia 13 da semana passada, o oficial fez uma ligação para o gabinete do deputado na Câmara, sendo informado pela secretária do parlamentar que ele “estava em uma missão internacional” e não havia previsão de retorno.
Nesta segunda-feira (18), o servidor se dirigiu ao endereço do deputado em Brasília, mas foi informado pelo porteiro do prédio que Frias não reside ali há dois anos.
Frias é apontado como produtor-executivo do filme e está sob investigação preliminar no STF devido a supostas irregularidades na alocação de R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil, uma entidade associada à produtora audiovisual Go Up Entertainment, que está produzindo o filme Dark Horse, ainda não lançado, sobre a trajetória política do ex-presidente.
A denúncia chegou ao STF através de uma representação da deputada Tabata Amaral (PSB-SP).
Em sua defesa, Frias afirma que as emendas não apresentam irregularidades e menciona um parecer da Advocacia da Câmara que confirma a ausência de inconsistências ou vícios formais.
A produção cinematográfica que retrata a vida política de Bolsonaro ganhou destaque após o site The Intercept divulgar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitou recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar as filmagens.
Após a revelação da conversa entre Flávio e Vorcaro, ocorrida em novembro do ano passado, o senador negou qualquer combinação para obter vantagens indevidas com o banqueiro, afirmando que os fundos eram privados.