Durante o evento BB Day, que reuniu investidores em São Paulo, Marco Geovanne Tobias da Silva, vice-presidente de gestão financeira (CFO) do Banco do Brasil, apresentou os planos de expansão internacional da instituição.
Após a implementação do Pix na Argentina através do Banco Patagônia, o próximo passo será introduzir este sistema de pagamentos instantâneos nos Estados Unidos, utilizando a plataforma BB Americas, conforme revelou o executivo.
No início deste ano, o Banco do Brasil disponibilizou uma nova funcionalidade que permite que brasileiros utilizem o Pix para efetuar pagamentos em estabelecimentos físicos credenciados na Argentina, mesmo sem ser correntistas da instituição.
A transação ocorre mediante a leitura de um QR Code fornecido pelo comerciante, que pode estar em um terminal de pagamento ou outro dispositivo. O cliente utiliza o aplicativo do banco de sua escolha para concluir a compra, sem necessidade de registro prévio ou autorização adicional.
Para realizar essa operação, o Banco do Brasil faz uma troca cambial para a moeda local, permitindo que o pagamento seja efetuado em reais, com débito direto na conta corrente ou poupança. Assim, incide IOF conforme a legislação vigente.
No extrato bancário, essa operação é apresentada como um Pix convencional. A instituição já havia mencionado seu interesse em expandir essa funcionalidade para outros países nas Américas, Europa e Ásia.
Tobias também informou que em breve o banco terá um foco maior no atendimento ao setor de pessoa física em Portugal.
Além disso, o executivo comentou sobre a colaboração com o UBS na área de investimentos, chamada UBS BB. Ele destacou que essa parceria resultou em mais de mil operações anunciadas, totalizando mais de R$ 1 trilhão. “Ampliamos significativamente nossa presença no mercado de capitais”, afirmou.
O ano mais desafiador da história
Tobias caracterizou 2025 como “o ano mais desafiador da história do banco público”. Ele lembrou que no ano anterior o volume de provisões quase triplicou em comparação à média dos últimos dez anos. O custo do risco aumentou de aproximadamente 3,5% em 2024 para mais de 5% em 2025.
<p“Nosso objetivo é assegurar a sustentabilidade a longo prazo do BB; isso é fundamental para nós”, declarou. “Embora o mercado se concentre nos resultados trimestrais, buscamos uma visão abrangente sobre toda a trajetória”, complementou.
Diante das dificuldades relacionadas à inadimplência no setor agropecuário, o Banco do Brasil tem observado uma piora nas principais métricas financeiras. O retorno sobre patrimônio (RoE) caiu para 12,4% ao final de 2025, representando uma queda significativa de 8,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior. O lucro líquido também sofreu uma drástica redução de 45%, totalizando R$ 20,685 bilhões.
Segmento de consórcios
Tobias reafirmou o compromisso do banco em fortalecer sua atuação no segmento de consórcios. Ele mencionou que a BB Consórcios possui atualmente R$ 150 bilhões sob gestão e conta com 1,7 milhão de contas ativas.
<p“Esse é um recurso valioso para nossos clientes quando desejam financiar bens de consumo”, destacou.
O executivo ainda mencionou que o setor de pagamentos tem garantido sustentabilidade aos negócios do banco. Após abrir capital, a Cielo está focada em expandir suas conexões com micro e pequenas empresas. A Cielo é controlada pelo Banco do Brasil juntamente com o Bradesco por meio da holding Elopar.
<p“Tendo isso em vista, o Pix agrega valor ao processo de pagamentos e proporciona maior comodidade aos nossos clientes”, observou Tobias.
Ele finalizou afirmando que os desafios enfrentados em 2025 proporcionaram diversos “aprendizados” relacionados ao agronegócio. Segundo ele, agora o foco está nas operações creditícias com maior retorno ajustado ao risco.
<p“Continuamos dedicados à construção de um Banco do Brasil cada vez mais próspero e transparente, próximo dos nossos clientes e investidores, visando não apenas crescimento mas também solidez”, concluiu.