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Aumento projetado para 2025 elucida a redução da produção de conilon em 2023 no Espírito Santo

No último ano, os altos preços do café fizeram com que alguns produtores de conilon no Espírito Santo decidissem postergar a poda e continuarem a explorar lavouras mais antigas por mais uma safra. Contudo, o desgaste dessas plantas após a colheita de 2025, aliado às condições climáticas desfavoráveis, resultou em uma quantidade reduzida de frutos neste ano. Essa situação é um dos fatores que justificam a diminuição de 14,3% na produção dessa variedade, conforme a terceira previsão de safra divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quinta-feira (24).

A estimativa para 2026 aponta uma colheita de 12,131 milhões de sacas de conilon no Estado, em comparação com as 14,159 milhões registradas em 2025, que foi um ano recorde. Em contrapartida, a produção da variedade arábica apresenta um crescimento projetado de 33%. Somando as duas variedades, o total esperado para a produção capixaba é de 16,507 milhões de sacas, uma queda de 5,4% em relação ao ano anterior.

Enio Bergoli, secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, aponta que o desempenho do conilon é resultado de múltiplos fatores. Entre esses fatores estão a carga produtiva elevada da safra passada e a decisão dos produtores de estender a colheita em áreas que já necessitavam de poda devido à possibilidade de capitalizar sobre os preços elevados.

“O esgotamento das plantas, causado pela alta produção na safra anterior e pelas condições climáticas adversas após a floração, resultou em uma menor quantidade de frutos por planta colhida, ficando abaixo do esperado e também da média produtiva da última safra”, explica.

O peso das lavouras antigas

A discrepância entre as lavouras jovens e as mais antigas foi um fator determinante no ciclo do conilon. Nas plantações novas, o início da fase reprodutiva trouxe floradas abundantes, gerando uma boa quantidade de frutos e produtividades satisfatórias.

Por outro lado, as plantas mais velhas já apresentavam sinais de desgaste devido à alta produção anterior e às condições climáticas adversas nos ciclos passados. Como resultado, essas áreas tiveram menos flores e maior taxa de abortamento floral — quando as flores não evoluem para frutos. Esse fenômeno resultou em falhas nos grãos ao longo da safra.

Além disso, eventos climáticos como ventos fortes, granizo e períodos sem chuva prejudicaram ainda mais a formação dos frutos nessas lavouras. Bergoli ressalta que o impacto da alta carga produtiva do ano passado foi observado mesmo nas áreas onde os produtores mantiveram rigorosos cuidados no manejo. A predominância das lavouras antigas na área total cultivada evidencia o impacto sobre a produção no Estado.

“As lavouras com quatro ou mais ciclos produtivos representam mais de 60% do total cafeeiro do conilon no Estado. Portanto, as perdas nessas áreas afetam diretamente a média estadual”, esclarece.

A produtividade do conilon caiu significativamente de 54,8 para 45 sacas por hectare, refletindo uma redução de 17,9%. Mesmo com o aumento da área cultivada em 4,4% em relação à safra anterior (2025), isso não foi suficiente para compensar a diminuição no volume colhido este ano.

Rendimento dos grãos

Apesar da redução na produção geral, alguns fatores impediram perdas ainda maiores. O desempenho positivo das lavouras jovens e as condições favoráveis de temperatura e umidade durante boa parte do ciclo contribuíram para um desenvolvimento adequado do café — apesar das ocorrências pontuais de clima desfavorável.

No processo de beneficiamento dos grãos, o rendimento superou a média registrada na safra anterior. Uma possível explicação pode estar relacionada à menor quantidade total de frutos por planta.

“A redução no número de frutos por pé possivelmente resultou em grãos que receberam mais nutrientes e água suficientes para seu crescimento em tamanho e peso”, avalia Bergoli.

O controle efetivo contra pragas e doenças também ajudou a minimizar as perdas. Embora os produtores tenham notado um aumento nos ataques por cochonilhas — especialmente na região Noroeste capixaba — além da presença da broca-do-café, esses problemas não causaram prejuízos financeiros relevantes nas lavouras do conilon.

Segundo o secretário Bergoli, muitos agricultores utilizaram uma combinação entre defensivos químicos e agentes biológicos para controle das pragas. Paralelamente à alta produção registrada em 2025 e ao avanço na mecanização da colheita, houve uma atenção especial aos frutos caídos no solo devido ao papel deles na manutenção e propagação da broca nas plantações.

A escassez de mão-de-obra também motivou mudanças nos métodos agrícolas. O uso crescente de drones para pulverização se destaca pela praticidade e eficiência operacional proporcionada pelos equipamentos modernos.

Preços estimulam novas áreas

Os preços altos não apenas incentivaram os produtores a manterem lavouras antigas ativas como também fomentaram novos plantios. A área destinada ao cultivo do conilon aumentou para 269.449 hectares neste ano, comparado aos 258.211 hectares registrados em 2025, representando um crescimento de 4,4%.

Esse movimento atraiu até mesmo agricultores sem experiência anterior na cafeicultura que perceberam oportunidades lucrativas no cultivo do grão. As novas áreas estão sendo ocupadas anteriormente por pastagens ou cultivos como eucalipto, cana-de-açúcar e coco.

Além disso, continua alta a demanda por mudas nos viveiros locais o que pode impactar positivamente nas projeções para os próximos ciclos agrícolas.

Embora seja prevista uma diminuição na colheita deste ano, o Espírito Santo responde por impressionantes 63% da produção nacional dessa variedade, concentrando ainda cerca de 70% da área brasileira dedicada ao conilon. No Estado, essa cultura tem maior destaque nas regiões Norte onde predominam climas quentes e úmidos aliados à altitudes menores quando comparadas às regiões Sul capixabas.

Arábica cresce com chuva e ciclo favorável

Para o arábica, as previsões indicam uma colheita estimada em 4,376 milhões de sacas, superando as 3,289 milhões registradas em 2025. Esse volume corresponde a 9,1% da produção nacional desta variedade.

A produtividade deve aumentar significativamente neste ciclo; estima-se que suba de 27 para 34,3 sacas por hectare, uma elevação correspondente a 26,9%. Além disso, observa-se um crescimento na área cultivada que passou de 121.611 hectares para 127.538 hectares, representando um incremento de 4,9%.

A concentração das plantações no Sul capixaba está alinhada às características geográficas favoráveis dessa região — temperaturas amenas aliadas a maiores altitudes facilitam a adaptação do arábica.

Neste ciclo atualde colheita foram reportados bons desenvolvimentos nas primeiras floradas; contudo,a última das três grandes floradas apresentou taxas elevadasde abortamento relacionadas à menor disponibilidade hídrica e temperaturas elevadas durante o período crítico para formação dos frutos.

Entre janeiro e março deste ano foram observadas chuvas volumosas que beneficiaram consideravelmente a formação dos grãos; apesar dos episódios negativos como estiagem ou rajadas fortes seguidas por granizo desde abril deste ano,a maioria das lavouras obteve resultados positivos devido às condições climáticas gerais favoráveis.

Adicionalmente,soma-se ao cenário positivo o fenômeno chamado bienalidade positiva — período superior dentro do ciclo alternado produtivo do café.Ao contrário do observado em 2025 quando ocorreu uma bienalidade negativa nessa mesma cultura.

Entretanto,o tamanho final dos grãos não alcançou todo seu potencial esperado durante esta safra nem os rendimentos foram tão altos quanto se imaginava inicialmente.

Renovação e expansão do arábica

Os preços atrativos desde o último ciclo também geraram incentivos significativos para investimentos nas plantações do arábica,tanto visando renovação quanto expansão das áreas cultivadas neste tipo específico.
“Vários agricultores renovaram parte das suas lavouras ou decidiram ampliar seus cultivos em novas áreas”, destaca Bergoli sobre esse aumento significativo na área cultivada atualmente.” .............

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