Para Edson Braga, o trabalho ganha uma dimensão maior quando deixa de servir apenas à própria sobrevivência e passa também a gerar oportunidades, conhecimento, dignidade e transformação para outras pessoas
Trabalhar para conquistar o sustento diário é uma das expressões mais fundamentais da responsabilidade humana. Sustentar uma família, pagar contas, cumprir compromissos e construir estabilidade exige esforço, disciplina e constância.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, também conhecido como Edson Braga, porém, pode existir um momento em que o trabalho passa a representar algo além da própria sobrevivência.
É quando aquilo que uma pessoa conquista deixa de terminar exclusivamente nela e começa a produzir consequências positivas também para outras pessoas.
A reflexão parte de uma frase que Edson afirma ter ouvido atribuída, em uma conversa, a Chico Xavier, embora ressalte não ter conseguido confirmar sua origem. Por esse motivo, prefere preservar o ensinamento, e não atribuir formalmente sua autoria:
“Labutar é buscar o pão de cada dia. Missão é dividir o pão com o próximo.”
Para Edson Braga, a ideia apresenta uma distinção importante entre trabalhar para viver e transformar o próprio trabalho em uma forma de servir.
Existe dignidade profunda na labuta
Antes de falar em missão, Edson José Bandeira Braga Filho destaca que não existe nada de inferior no trabalho realizado por necessidade.
Labutar significa acordar mesmo quando seria mais confortável permanecer descansando.
É cumprir responsabilidades.
Sustentar uma casa.
Pagar contas.
Cuidar de uma família.
Honrar compromissos.
Construir pouco a pouco aquilo que mantém uma vida inteira de pé.
Segundo Edson, existe enorme dignidade nessa rotina.
Em uma época na qual palavras como “propósito” e “missão” são frequentemente utilizadas para descrever carreiras e projetos profissionais, existe o risco de esquecer que, para milhões de pessoas, trabalhar representa antes de tudo responsabilidade e sobrevivência.
Isso não torna o trabalho menos importante.
Há grandeza em conquistar honestamente o sustento da própria família.
Há grandeza em continuar.
Em assumir responsabilidades.
Em repetir durante anos pequenas ações que talvez nunca sejam reconhecidas publicamente.
A labuta, segundo Edson Braga, ensina disciplina, paciência, resiliência e constância.
Mas, em algum momento, uma nova pergunta pode surgir:
Depois de conquistar o próprio pão, o que será feito com aquilo que as próprias mãos aprenderam a produzir?
Missão começa quando o trabalho ultrapassa quem o realiza
Para Edson José Bandeira Braga Filho, viver uma missão não significa necessariamente abandonar a profissão atual ou mudar completamente de vida.
Também não exige deixar uma empresa para dedicar-se exclusivamente a uma causa social.
Missão pode estar menos relacionada à atividade realizada e mais ao alcance produzido por ela.
Um médico precisa trabalhar e receber pelo próprio serviço, mas também pode encontrar missão na maneira como cuida das pessoas.
Um professor possui salário e responsabilidades profissionais, mas uma orientação dada em uma sala de aula pode permanecer por décadas na vida de um aluno.
Um empresário precisa gerar lucro, mas a empresa também pode sustentar famílias, desenvolver profissionais e criar oportunidades.
Da mesma forma, um pai não cumpre sua responsabilidade apenas ao pagar as despesas da casa. Parte de sua missão pode estar na formação humana dos filhos.
Nesse sentido, Edson Braga resume a diferença de maneira simples.
A labuta pergunta:
“O que preciso construir para viver?”
A missão acrescenta outra questão:
“Quem mais poderá viver melhor porque eu construí?”
Repartir o pão pode significar muito mais do que dividir alimento
A imagem do pão ocupa lugar central nessa reflexão.
O pão representa sustento.
É resultado do trabalho.
É uma necessidade básica.
Mas, para Edson, reparti-lo não significa apenas distribuir comida.
Existem muitas formas de compartilhar aquilo que foi recebido ou construído.
É possível repartir conhecimento.
Tempo.
Experiência.
Oportunidades.
Relacionamentos.
Confiança.
Recursos financeiros.
Uma pessoa pode ensinar em poucas horas aquilo que levou décadas para aprender.
Pode abrir uma porta que alguém não conseguiria abrir sozinho.
Pode formar um profissional capaz de, no futuro, ocupar uma posição ainda maior.
Pode investir em uma ideia quando ninguém mais acredita.
Pode utilizar sua influência para ajudar alguém a ser ouvido.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, missão talvez seja justamente permitir que os recursos que passam por nossas mãos continuem gerando valor depois de nós.
O empreendedorismo também pode encontrar missão
No mundo empresarial, desempenho é medido por indicadores objetivos.
Faturamento.
Margem.
Crescimento.
Participação de mercado.
Retorno sobre investimento.
Patrimônio.
Todos são importantes.
Uma empresa que não gera resultado dificilmente consegue permanecer aberta e, consequentemente, terá dificuldade para produzir qualquer impacto por muito tempo.
Mas Edson Braga considera que, com a maturidade, o empresário começa a enxergar também aquilo que existe por trás desses números.
Por trás de uma folha de pagamento existem famílias.
Por trás de cada funcionário existe uma história.
Por trás de um fornecedor pode existir outro empreendedor tentando sustentar seu próprio negócio.
E por trás de uma oportunidade concedida a alguém pode existir uma mudança capaz de alcançar uma família inteira ao longo de gerações.
Nesse estágio, o lucro continua necessário.
Mas deixa de ser a única linguagem utilizada para avaliar a importância de uma empresa.
Para Edson, um negócio começa a encontrar missão quando sua prosperidade passa também a gerar prosperidade ao redor.
Missão precisa aparecer nas decisões
Palavras como missão e propósito tornaram-se comuns no ambiente empresarial.
Estão presentes em sites, apresentações, relatórios e discursos institucionais.
Entretanto, segundo Edson José Bandeira Braga Filho, declarar uma missão não significa necessariamente vivê-la.
A diferença pode ser observada nas decisões.
Quando lucro e princípio entram em conflito, qual deles prevalece?
Como uma organização trata alguém que já não possui nada para oferecer?
Como o reconhecimento é distribuído?
Como erros são tratados?
De que maneira o poder é utilizado?
Quem cresce quando a empresa cresce?
Essas respostas podem revelar mais sobre a verdadeira missão de uma organização do que qualquer frase institucional.
Para Edson Braga, missão não é apenas aquilo que alguém afirma.
É aquilo que suas escolhas revelam quando existe algum preço envolvido.
Nem toda missão precisa ser grandiosa
Outro equívoco, na avaliação de Edson, está em associar missão obrigatoriamente a grandes realizações.
Uma pessoa não precisa transformar milhares de vidas, criar uma fundação ou construir uma empresa gigantesca para viver com propósito.
A missão pode estar em educar bem os filhos.
Cuidar dos pais.
Estar presente na vida de um amigo.
Ensinar alguém.
Servir.
Construir algo honesto.
Executar uma pequena responsabilidade com excelência.
Algumas das pessoas que mais impactaram outras jamais serão conhecidas fora de um círculo restrito.
Mesmo assim, sua presença pode ter transformado profundamente aqueles que estavam ao redor.
Nesse sentido, grandeza não precisa significar alcance.
Pode significar profundidade.
A missão começa quando o ego deixa de ocupar o centro
Durante determinada fase da vida, algumas perguntas surgem naturalmente.
Quanto vou ganhar?
Até onde conseguirei chegar?
Quanto meu patrimônio pode crescer?
Quais conquistas ainda posso alcançar?
Nada disso precisa ser abandonado.
Mas, para Edson José Bandeira Braga Filho, outras perguntas podem começar a acompanhar as primeiras.
Quem está crescendo comigo?
Quem estou formando?
Quais portas estou abrindo?
O que estou devolvendo?
O que permanecerá quando eu não estiver mais presente?
A mudança não representa ausência de ambição.
Representa amadurecimento da ambição.
O desejo de crescer permanece.
Mas o crescimento deixa de terminar apenas em quem conquistou.
Labuta e missão podem caminhar juntas
Para Edson Braga, labuta e missão não são conceitos opostos.
A labuta é necessária.
Ela sustenta a realidade.
Paga contas.
Desenvolve competência.
Produz recursos.
Ensina responsabilidade.
A missão, por sua vez, ajuda a dar direção a tudo isso.
A labuta constrói capacidade.
A missão pergunta como essa capacidade será utilizada.
A labuta produz o pão.
A missão questiona o que será feito com ele.
Quando as duas dimensões se encontram, o trabalho continua exigindo esforço e os problemas continuam existindo.
Mas algo pode mudar no significado atribuído à rotina.
Aquilo que antes parecia apenas esforço começa a representar também contribuição.
O que passa pelas nossas mãos
Edson José Bandeira Braga Filho também chama atenção para a natureza temporária das coisas que administramos.
O dinheiro passa.
Os cargos passam.
Empresas podem mudar de mãos.
Oportunidades surgem e desaparecem.
O próprio tempo continua avançando.
Talvez, nesse sentido, sejamos menos proprietários definitivos e mais administradores temporários daquilo que recebemos.
A pergunta deixa então de ser apenas quanto foi possível guardar.
Passa a incluir quanto foi possível colocar em movimento.
Quantas pessoas cresceram?
Quantas oportunidades foram criadas?
Quanto conhecimento foi compartilhado?
Quantas famílias foram impactadas positivamente?
Para Edson Braga, existe grande dignidade em conquistar o próprio pão.
Mas a missão pode começar justamente quando alguém percebe que esse pão não precisa terminar apenas em sua mesa.
Pode ser repartido.
Multiplicado.
Pode servir para ensinar alguém a produzir o próprio sustento.
Pode criar condições para que novas mesas também existam.
Nesse sentido, a labuta constrói o presente.
A missão permite que parte daquilo que foi construído continue produzindo consequências no futuro.
Talvez o trabalho alcance uma de suas formas mais significativas quando conseguimos unir as duas dimensões:
trabalhar para sustentar a própria vida e viver de maneira que aquilo que fazemos também ajude a sustentar outras vidas.