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Endividamento cresce enquanto calote diminui levemente três meses após o Desenrola 2.0, revela a CNC

Após três meses de implementação do programa Desenrola 2.0, que visa a renegociação de dívidas, observou-se um leve alívio na inadimplência dos brasileiros em julho. Contudo, o nível de endividamento avançou e alcançou, pelo sexto mês consecutivo, o maior patamar em 16 anos.

De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 82% das famílias estavam endividadas em julho, um aumento em relação aos 81,6% registrados em junho e aos 78,5% do mesmo mês do ano anterior.

As obrigações financeiras incluem itens como cartões de crédito, empréstimos consignados, financiamentos bancários, cheque especial, crédito pessoal e compras parceladas em lojas.

Em relação à inadimplência, o impacto positivo do programa federal foi modesto. Em julho, 29,8% das famílias enfrentavam dificuldades financeiras para honrar suas dívidas, uma ligeira queda em comparação aos 29,9% de junho e aos 30% registrados no mesmo mês do ano passado.

Comprometimento da Renda Atinge Níveis Alarmantes

Outro dado alarmante revelado pela pesquisa é que a proporção de brasileiros que comprometeram mais da metade de sua renda com dívidas subiu para 19%, o que representa o maior índice desde março deste ano.

Os consumidores que estão endividados dedicam em média 29,5% de sua renda mensal para pagar credores. O aumento tanto no número de endividados quanto no comprometimento da renda gera preocupação entre os economistas da CNC.

Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, destaca que a redução da taxa Selic é um passo crucial para melhorar as condições de crédito ao longo do tempo, embora seus efeitos não sejam instantâneos.

“A decisão de baixar os juros básicos poderá ajudar a reduzir o custo das novas operações de crédito e facilitar a renegociação das dívidas em termos mais vantajosos”, afirma Bentes.

Entretanto, ele adverte que o elevado comprometimento da renda indica que a recuperação da capacidade de consumo das famílias será um processo gradual.

Em sua análise final, Bentes sugere que a continuidade da flexibilização monetária deve ser acompanhada atentamente com relação ao comportamento da inflação e pode contribuir para aliviar as finanças domésticas, especialmente para as famílias com menor rendimento.

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