Alcançar os 90 anos é uma conquista para poucos, e ainda mais manter a energia, a saúde e a disposição para correr é algo surpreendente. Essa é a realidade de Adelmira Adão, conhecida carinhosamente como “Vovó Corredora” no Espírito Santo.
Aos 99 anos, a vovó comemorou seu aniversário não deixando de lado a paixão pelo esporte que a tornou famosa. Bicampeã dos Jogos Estaduais da Terceira Idade, Adelmira é mãe, avó e se descreve como teimosa por natureza.
Essa teimosia pode ser o segredo para sua vontade de viver, já que a corrida entrou em sua vida quando já era idosa.
Natural da comunidade quilombola Monte Alegre, em Cachoeiro de Itapemirim, Adelmira só começou a correr depois dos 75 anos, quando se juntou a um grupo de idosos em uma corrida e não resistiu, optando por correr 10 quilômetros. A partir daí, não parou mais, entrando em equipe de atletismo e sendo reconhecida como a melhor atleta do ano no atletismo da terceira idade em 2009.
Correndo por todos os lugares
Desde então, a vovó já participou de diversas corridas em lugares diferentes, como Jerônimo Monteiro, Anchieta, Colatina, Muqui, Castelo, Venda Nova, Domingos Martins e Vitória, além de eventos no Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Apesar de ter carinho por todas as corridas e cidades por onde passou, a Corrida de São Pedro em sua cidade é a que mais gosta, pois foi onde tudo começou.
Da solidão para o abraço em grupo
Antes de se apaixonar pela corrida, Adelmira buscava companhia e encontrou em um grupo de idosos o suporte necessário para superar a solidão após a morte do marido. Essa convivência a fez perceber o valor da vida e a importância de socializar.
Para os idosos que desejam se exercitar e ter uma vida saudável, a vovó aconselha começar, não importa como. E relembra uma corrida em Castelo, em que desafiou as expectativas de senhoras descrentes, chegando em primeiro lugar e provando que é possível superar os obstáculos.
Um século é logo ali
Mesmo temporariamente afastada das pistas por um acidente doméstico, Adelmira planeja voltar em breve para conquistar novos prêmios. Mesmo diminuindo o ritmo de corrida conforme a idade avança, ela mantém o espírito competitivo e o amor pela corrida.
Aos quase 100 anos, a vovó garante que estar cercada por pessoas amadas é o melhor presente que poderia receber, e agradece por ter saúde e por estar viva. O mais importante para ela é poder compartilhar a vida com aqueles que ama.