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Dirigente e herdeiro de conselheiro da Americanas são investigados pela PF em operação sobre esquema de R$ 54 bilhões

Na manhã desta quinta-feira, 25, a Polícia Federal deu início à segunda fase da Operação Disclosure, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre fraudes contábeis que totalizam cerca de R$ 54 bilhões nasLojas Americanas.

Entre os indivíduos alvo dos mandados de busca e apreensão estão o empresárioBeto Sicupira e Paulo Alberto Lemann, filho deJorge Paulo Lemann, ambos associados ao grupo controlador da varejista. A operação também envolve executivos dos bancosItaú,Bradesco eSantander, além de ex-membros do conselho de administração da empresa.

Após a ação da PF, a Americanas declarou ser “a maior interessada no esclarecimento dos fatos”. Por sua vez, o Santander afirmou que “apoia as partes afetadas na investigação das fraudes”.

O Bradesco comunicou que “acompanha a operação” e está disponível para colaborar com as autoridades. O Itaú Unibanco mencionou que “teve perdas bilionárias” decorrentes das fraudes na Americanas e assegurou ter “comprovado a integridade de sua atuação e de seus funcionários por meio de documentos entregues à Justiça”.

A reportagem tentou contato com as defesas dos investigados. O espaço permanece aberto para comentários.

Investigados teriam ciência das fraudes

A partir das investigações realizadas pela PF desde 2023, os alvos dessa fase da Operação Disclosure seriam cientes das irregularidades contábeis praticadas pela varejista ao longo dos anos.

As irregularidades estariam ligadas às operações de risco sacado – uma forma de crédito utilizada para antecipar pagamentos a fornecedores através de instituições financeiras – assim como ao registro de contratos relacionados à verba de propaganda cooperada (VPC) sem a justificativa econômica necessária para sua contabilização.

No desenrolar da operação desta manhã, agentes federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão, incluindo ações pessoais nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. A 10ª Vara Federal Criminal do Rio também determinou o bloqueio de bens e valores pertencentes aos investigados até o limite total de R$ 54 bilhões.

Alvos da Polícia Federal na nova fase da Operação Disclosure:

  • Alexandre Abdo — executivo do Santander
  • André Almeida — executivo do Santander
  • Carlos Alberto Sicupira — controlador da Americanas
  • Carlos Henrique Villela Pedras — executivo do Bradesco
  • Eduardo Saggioro — ex-membro do conselho da Americanas
  • Gustavo Balassiano — executivo do Itaú
  • José Rudge — executivo do Itaú
  • Paulo Alberto Lemann — ex-membro do conselho da Americanas e filho do controlador Jorge Paulo Lemann
  • Sérgio Rial — ex-presidente do Santander e ex-CEO da Americanas

A investigação levanta indícios teóricos sobre manipulação de mercado e formação de associação criminosa.

Americanas se diz ‘maior interessada’ em esclarecer os fatos

“A Americanas informa que não foi alvo de mandados nesta manhã. A Operação Disclosure conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal diz respeito à fraude revelada em 2023. A Companhia seguirá colaborando com as investigações e é a maior interessada no esclarecimento dos fatos.”

Santander afirma estar ‘ao lado das partes afetadas’

“O Santander comunica que está junto às partes prejudicadas na apuração das fraudes relacionadas à Americanas e continua oferecendo apoio às autoridades competentes, conforme tem feito desde o início das investigações. A instituição reafirma seu compromisso com ética, transparência e cumprimento rigoroso das normas em suas operações.”

Itaú menciona ‘perdas bilionárias’

“Em relação à operação realizada hoje, o Itaú Unibanco, embora não esteja sob investigação, esclarece que colabora ativamente com as autoridades desde 2023, fornecendo todas as informações sobre o caso Americanas. As investigações já indicaram que a varejista foi palco de uma das maiores fraudes corporativas do país.”

“O banco, que enfrentou perdas bilionárias devido ao episódio, já demonstrou a conformidade ética em suas ações por meio da documentação apresentada à Justiça. Os registros evidenciam que o Itaú rejeitou pedidos feitos pela antiga gestão da Americanas para modificar cartas relativas à auditoria dos balanços.”

“Por fim, a instituição reitera que sempre atuou com rigor ético e regulatório, apoiando plenamente as autoridades na elucidação definitiva das irregularidades cometidas pela antiga administração da varejista.”

Bradesco se declara ‘à disposição’

“O Bradesco acompanha os desdobramentos e se coloca à disposição das autoridades.”

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