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Escolas estão preparadas para lidar com alergias? Especialistas oferecem orientações essenciais.

Durante uma campanha nacional para aumentar a conscientização sobre alergias alimentares, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) enfatiza a importância de as escolas estarem adequadamente preparadas para prevenir, identificar e lidar com casos de anafilaxia.

A anafilaxia é uma reação alérgica severa, que pode ocorrer rapidamente e representa um risco à vida, sendo frequentemente provocada por alimentos, medicamentos, picadas de insetos ou contato com látex.

A presidente da Asbai, a médica alergista e imunologista Fátima Rodrigues Fernandes, ressalta que um dos principais desafios enfrentados pelas instituições educacionais é a ausência de protocolos bem definidos e do treinamento apropriado para as equipes escolares.

“Muitas instituições ainda não estão cientes de que a alergia alimentar pode levar à anafilaxia, uma condição grave que pode ser fatal, subestimando assim os sinais iniciais da reação”, afirma Fátima.

Dentre as questões mais frequentes apontadas pela associação estão:

  • falta de ficha de saúde atualizada dos alunos;
  • deficiências na comunicação entre pais, professores, cantinas e coordenação;
  • risco de contaminação cruzada durante o preparo ou partilha de alimentos;
  • a ausência de treinamento para reconhecer sinais graves;
  • medicamentos de emergência inacessíveis ou sem instrução adequada;
  • exclusão social das crianças em refeições, festas e atividades escolares.

Orientações

A Asbai recomenda que as escolas evitem o compartilhamento não orientado de alimentos, identifiquem alunos com alergias alimentares e capacitem os professores e demais funcionários para reconhecer os primeiros sinais de reações alérgicas. Além disso, sugere que sejam adotadas práticas rigorosas nas cozinhas e cantinas para prevenir contaminações cruzadas.

Outro aspecto relevante é o impacto emocional das alergias alimentares nas crianças. “Elas frequentemente vivem sob o medo contínuo de exposições acidentais, sentindo-se excluídas e ansiosas em situações sociais que envolvem comida”, explica Fátima.

No contexto escolar, isso pode ocorrer em eventos como festas, lanches coletivos ou aulas práticas de culinária. “Quando a escola não está devidamente preparada, a criança pode se sentir isolada ou diferente, prejudicando sua autoestima e socialização. Assim, atualmente se discute não apenas a segurança alimentar mas também a inclusão escolar”, complementa.

Sintomas principais da anafilaxia

A anafilaxia pode manifestar sintomas em diferentes sistemas do corpo: na pele e mucosas (prurido, inchaço e vermelhidão), no sistema respiratório (dificuldade para respirar, chiado e tosse), no trato gastrointestinal (náuseas, vômitos e cólicas), no sistema cardiovascular (queda da pressão arterial, desmaios e arritmias) e no sistema neurológico (tontura, confusão mental e sensação iminente de morte).

Sintomas leves geralmente se restringem à pele com manifestações como coceira localizada ou erupções cutâneas leves.

A anafilaxia tende a apresentar sintomas sistêmicos que evoluem rapidamente, incluindo dificuldades respiratórias severas como chiado no peito, inchaço da língua ou garganta, rouquidão e queda brusca da pressão arterial podendo levar ao desmaio.

A rapidez na evolução dos sinais é crucial. “Na anafilaxia, os sintomas costumam aparecer em minutos ou poucas horas após a exposição ao alérgeno e podem agravar-se rapidamente”, destaca Fátima.

O Registro Brasileiro de Anafilaxia criado pela Asbai revela que essa condição ainda é pouco diagnosticada no Brasil. Atualmente, o levantamento conta com dados sobre 318 pacientes sendo 163 mulheres.

Desses casos registrados até agora, 42,1% das reações foram provocadas por alimentos. Os principais responsáveis identificados incluem leite de vaca (12,9%), mariscos (6,9%), ovo (5,6%), trigo (3,1%) e amendoim (3,1%).

No que diz respeito aos medicamentos utilizados como gatilho das reações alérgicas, eles representam 32,4% dos casos reportados; entre eles destacam-se agentes biológicos (10,4%), anti-inflamatórios (7,2%) e antibióticos (3,8%). Insetos também são responsáveis por 23,9% dos incidentes registrados — principalmente formigas (8,4%). Casos envolvendo látex também foram documentados.

Tratamento e primeiros socorros

A Asbai recomenda que em situações suspeitas de anafilaxia haja encaminhamento imediato para serviços médicos emergenciais além da rápida comunicação com familiares dos alunos afetados.

A adrenalina é o principal medicamento utilizado no tratamento da anafilaxia. Apesar da existência da versão autoinjetável conhecida como “caneta de adrenalina”, esse medicamento ainda não está disponível no Brasil devido à necessidade de importação.

Para a presidente da associação médica mencionada anteriormente essa situação gera preocupações significativas. “A adrenalina autoinjetável é considerada o tratamento padrão em casos urgentes; deve ser administrada imediatamente nos primeiros sinais de reação grave. O atraso nessa administração aumenta consideravelmente os riscos de complicações graves ou até morte”, explica ela.

Pelo Registro Brasileiro de Anafilaxia apenas 8,2% dos pacientes têm acesso à adrenalina autoinjetável. “Isso faz com que muitas escolas dependam exclusivamente do tempo até chegar ao atendimento médico emergencial — algo que muitas vezes é incompatível com o tempo necessário para tratar uma anafilaxia”, conclui Fátima.

No momento existem duas propostas legislativas tramitando no Congresso Nacional relacionadas à anafilaxia.

A primeira delas é o PL 1945/21 que estabelece a notificação obrigatória dos casos ao Ministério da Saúde visando aumentar as informações oficiais sobre prevalência e efeitos dessa condição em todo o País.

A segunda proposta é o PL 85/24 que sugere fornecer gratuitamente a adrenalina autoinjetável pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando assim o acesso ao tratamento tanto em lares quanto nas escolas.

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